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TECNOLOGIA 

ROTEADORES E OS MOVIMENTOS

Roteadores Wi-Fi podem "enxergar" movimentos? Projeto no GitHub reacende debate sobre uso de ondas de rádio para monitoramento

 

Tecnologia utiliza sinais Wi-Fi para detectar presença e movimentos sem a necessidade de câmeras, abrindo caminho para novas aplicações em segurança, saúde e automação residencial.

 

Uma tecnologia que parecia restrita aos laboratórios de pesquisa está ganhando destaque na comunidade de desenvolvedores. Um projeto de código aberto disponibilizado no GitHub demonstra como sinais emitidos por roteadores Wi-Fi podem ser utilizados para detectar movimentos de pessoas em um ambiente, sem a necessidade de câmeras ou sensores tradicionais.

A proposta chamou a atenção de pesquisadores, programadores e especialistas em inteligência artificial ao mostrar que as ondas de rádio emitidas continuamente pelos roteadores carregam informações suficientes para identificar alterações no ambiente causadas pelo deslocamento de pessoas e objetos.

 

Como a tecnologia funciona?

Todo roteador Wi-Fi transmite ondas de rádio para permitir a comunicação entre dispositivos conectados. Quando essas ondas encontram obstáculos, como paredes, móveis ou pessoas, parte do sinal é refletida, absorvida ou sofre pequenas alterações.

Essas variações podem ser medidas por meio de informações conhecidas como Channel State Information (CSI), presentes em determinados chipsets Wi-Fi.

 

Utilizando algoritmos de aprendizado de máquina e processamento de sinais, o sistema consegue interpretar essas pequenas mudanças para identificar:

  • Presença de pessoas;
  • Movimentos em tempo real;
  • Direção do deslocamento;
  • Número aproximado de indivíduos;
  • Gestos;

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Em alguns estudos, até padrões respiratórios e frequência cardíaca. Sem câmeras e preservando mais a privacidade. Uma das principais vantagens da tecnologia é dispensar o uso de câmeras. Em vez de gravar imagens, o sistema analisa apenas alterações nas características físicas do sinal de rádio.

 

Isso torna a solução especialmente interessante para aplicações em:

  • Monitoramento de idosos;
  • Casas inteligentes;
  • Segurança residencial;
  • Hospitais;
  • Controle de presença;
  • Automação predial.

 

Inteligência Artificial faz toda a diferença

Os dados capturados pelos sinais Wi-Fi são extremamente complexos. É a Inteligência Artificial que aprende os padrões e consegue distinguir, por exemplo:

  • Uma pessoa caminhando;
  • Alguém sentado;
  • Quedas;
  • Movimentos bruscos;

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Entrada ou saída de um cômodo.

Com treinamento suficiente, a precisão pode alcançar níveis bastante elevados. Projeto de código aberto. O lançamento do projeto no GitHub despertou grande interesse, justamente por permitir que pesquisadores e desenvolvedores possam estudar, adaptar e evoluir a tecnologia.

 

A iniciativa reforça a tendência de democratização das pesquisas envolvendo sensoriamento por radiofrequência, inteligência artificial e Internet das Coisas (IoT). Embora técnicas semelhantes já sejam objeto de pesquisas em universidades e empresas de tecnologia há vários anos, disponibilizar ferramentas em código aberto acelera significativamente o desenvolvimento de novas aplicações.

 

Existem limitações

Apesar do entusiasmo, especialistas alertam que a tecnologia ainda possui limitações.

Entre os principais desafios estão:

  • necessidade de hardware compatível;
  • interferências causadas por paredes e objetos metálicos;
  • calibração do ambiente;
  • redução da precisão em locais com muitas pessoas. 

 

Além disso, questões relacionadas à privacidade e ao uso ético desses sistemas deverão acompanhar a evolução da tecnologia. O futuro do sensoriamento invisível. Pesquisadores acreditam que, nos próximos anos, o Wi-Fi poderá deixar de ser apenas um meio de acesso à internet para se transformar também em um poderoso sistema de sensoriamento ambiental.

A combinação entre redes sem fio, Inteligência Artificial e processamento de sinais promete revolucionar áreas como saúde, segurança, automação residencial, cidades inteligentes e monitoramento industrial.

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O projeto divulgado no GitHub representa mais um passo nessa direção, mostrando que o próprio sinal Wi-Fi pode se tornar uma nova forma de "percepção digital" do ambiente, ampliando as possibilidades de interação entre pessoas, dispositivos e inteligência artificial.

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