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CIRURGIA BARIÁTRICA

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Quem nunca se olhou de perfil no espelho para dar uma conferida se a barriguinha estava avantajada? Claro que o padrão de beleza atual interfere, e muito, na busca por uma silhueta mais sequinha, mas, é importante ressaltar que a presença de muita gordura na região abdominal pode provocar algumas doenças como diabetes, aumento dos triglicérides (gordura circulante), pressão alta, doenças cardiovasculares e outras. E se disséssemos que hoje é possível eliminar de 20% a 25% do peso com um procedimento minimamente invasivo?

As regras para indicação da cirurgia bariátrica e metabólica deverão mudar no Brasil, a partir de 2023. As novas diretrizes – já em discussão no Conselho Federal de Medicina (CFM) – irão ampliar os critérios de indicação do procedimento para pacientes com IMC (Índice de Massa Corporal ) a partir de 35 kg/m², sem a presença de qualquer doença.  A cirurgia metabólica também poderá ser indicada para pacientes com diabetes fora do controle e  IMC maior que 30.

 

As novas diretrizes foram publicadas, na última semana, pela Federação Internacional para a Cirurgia da Obesidade e Distúrbios Metabólicos (IFSO), que  representa 72 associações e sociedades nacionais em todo o mundo e pela Sociedade Americana de Cirurgia Metabólica e Bariátrica. 

Hoje, as cirurgias bariátricas podem ser feitas em pacientes com  Índice de Massa Corporal (IMC) entre 30 e 35, com diabetes tipo 2 sem controle há mais de dois anos, pacientes com IMC acima de 35 – desde que tenham outras doenças associadas ao excesso de peso como hipertensão, apneia do sono, esteatose hepática (gordura no fígado) e outras. Já para pacientes sem outras doenças,  é preciso ter IMC acima de 40.
 

“O Consenso sobre Cirurgia Bariátrica de 1991 foi fundamental, mas após 30 anos e centenas de estudos publicados de alta qualidade, incluindo ensaios clínicos randomizados, não reflete mais as melhores práticas, especialmente com a evolução das tecnologias e avanço da obesidade”, afirma Fábio Viegas, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

 

Após o aval do CFM, os novos parâmetros ainda precisam ser debatidos, posteriormente,  pelo  Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Os órgãos devem avaliar se eles serão incorporados ao SUS e aos planos de saúde.

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1 - Gastroplastia, também chamada de cirurgia bariátrica, cirurgia da obesidade ou ainda de cirurgia de redução do estomago é - como o próprio nome diz - uma plástica no estômago (gastro = estômago e plastia = plástica).

 

Ela tem como objetivo reduzir o peso de pessoas com o IMC muito elevado.

 

2 - Esse tipo de cirurgia está indicada, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para pacientes com IMC acima de 35 Kg/m² que tenham complicações como apneia do sono, hipertensão arterial, diabetes, aumento de gorduras no sangue e problemas articulares, ou para pacientes com IMC maior que 40 Kg/m² que não tenham obtido sucesso na perda de peso após dois anos de tratamento clínico (incluindo o uso de medicamentos).

3 - Existem três tipos básicos de cirurgias bariátricas: restritivas, mistas e disabsortivas.

 

As cirurgias que apenas diminuem o tamanho do estômago são chamadas do tipo restritivo (Banda Gástrica Ajustável, Gastroplastia Vertical com Bandagem ou Cirurgia de Mason e a Gastroplastia Vertical em “Sleeve”).

 

A perda de peso se faz pela redução da ingestão de alimentos.

 

Existem também as cirurgias mistas, nas quais há a redução do tamanho do estomago e um desvio do trânsito intestinal. Há, além da redução da ingestão, a diminuição da absorção dos alimentos.

 

As cirurgias mistas podem ser predominantemente restritivas (derivação Gástrica com e sem anel) e predominantemente disabsortivas (derivações bileopancreáticas).

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4 - Antes da cirurgia todo paciente precisa ser avaliado individualmente, devendo ser submetido a uma avaliação clínico-laboratorial que inclui - além da aferição da pressão arterial - dosagens da glicemia, lipídeos e outras dosagens sanguíneas, avaliação das funções hepática, cardíaca e pulmonar. A endoscopia digestiva e a ecografia abdominal são importantes procedimentos pré-operatórios.

 

A avaliação psicológica também faz parte dos procedimentos pré-operatórios obrigatórios. Pacientes com doença psiquiátrica grave devem ser tratados antes da cirurgia.

5 - Na maioria dos pacientes, a cirurgia bariátrica - além de levar a uma perda de peso grande - traz benefícios no tratamento de todas as outras doenças relacionadas à obesidade.

 

É possível uma melhora importante ou mesmo remissão do seu diabetes, do controle da pressão arterial, dos lipídeos sanguíneos, dos níveis de ácido úrico e alívio das dores articulares.

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6 - Do ponto de vista nutricional, os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica deverão ser acompanhados pelo resto da vida, com o objetivo de receberem orientações específicas para elaboração de uma dieta qualitativamente adequada.

 

Quanto mais disabsortiva for a cirurgia, maior a chance de complicações nutricionais, como anemias por deficiência de ferro, de vitamina B12 e/ou ácido fólico, deficiência de vitamina D e cálcio e até mesmo desnutrição, nas cirurgias mais radicais. Reposições vitamínicas são feitas após a cirurgia e mantidas por tempo indeterminado.

 

A diarreia pode ser uma complicação nas cirurgias mistas, principalmente na derivação bileopancreática.

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7 - A adesão ao tratamento deverá ser avaliada, pois alguns pacientes podem recorrer a preparações de alta densidade calórica e de baixa qualidade nutricional - que além de provocarem hipoglicemia e fenômenos vasomotores (sudorese, taquicardia, sensação de mal-estar) - colocam em risco o sucesso da intervenção em longo prazo, reduzindo a chance do indivíduo perder peso.

 

8 - A cirurgia antiobesidade é um procedimento complexo e apresenta risco de complicações. 

 

A intervenção impõe uma mudança fundamental nos hábitos alimentares dos indivíduos. Portanto, é primordial que o paciente conheça muito bem o procedimento cirúrgico e quais os riscos e benefícios da cirurgia.

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Desta forma, além das orientações técnicas, o acompanhamento médico, nutricional, psicológico e o apoio da família são aconselháveis em todas as fases do processo.

9 - Em pacientes que apresentaram uma perda de peso muito grande, uma cirurgia plástica para retirada do excesso de pele é necessária.

 

A mesma poderá ser feita quando a perda de peso estiver totalmente estabilizada, ou seja, depois de aproximadamente dois anos. 

 

10 - Mulheres que realizam cirurgia bariátrica devem aguardar pelo menos de 15 a 18 meses para engravidar. A grande perda de peso logo após a cirurgia pode prejudicar o crescimento do feto.