À primeira vista, comparar a Biblioteca de Alexandria com a digitalização de livros por empresas de inteligência artificial pode parecer exagerado. No entanto, a discussão vai muito além da destruição física de livros.
Em Alexandria, milhares de obras desapareceram ao longo do tempo.
Na era digital, o conteúdo continua existindo, mas em formato eletrônico.
Essa diferença é fundamental.
Enquanto a Antiguidade testemunhou a perda irreparável de parte do conhecimento, hoje a informação tende a ser preservada digitalmente.
O debate, entretanto, desloca-se para outro ponto.
Quem controla esse conhecimento?
Bibliotecas públicas sempre representaram acesso coletivo.
Já as bases de treinamento de inteligência artificial pertencem, em grande parte, a empresas privadas.
Especialistas discutem se a humanidade está assistindo apenas a uma mudança de suporte — do papel para os servidores digitais — ou ao surgimento de uma nova concentração do patrimônio intelectual mundial.
A questão deixa de ser tecnológica.
Passa a ser cultural, econômica e ética.
Alexandria perdeu seus livros.
A humanidade contemporânea talvez esteja concentrando seu conhecimento em enormes bancos de dados digitais.
O desafio agora é garantir que esse patrimônio continue acessível às futuras gerações.