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SÉRIE ESPECIAL
CAPÍTULO 3
Alexandria e a Inteligência Artificial: comparação possível ou exagero histórico?

À primeira vista, comparar a Biblioteca de Alexandria com a digitalização de livros por empresas de inteligência artificial pode parecer exagerado. No entanto, a discussão vai muito além da destruição física de livros.

 

Em Alexandria, milhares de obras desapareceram ao longo do tempo.

Na era digital, o conteúdo continua existindo, mas em formato eletrônico.

Essa diferença é fundamental.

Enquanto a Antiguidade testemunhou a perda irreparável de parte do conhecimento, hoje a informação tende a ser preservada digitalmente.

O debate, entretanto, desloca-se para outro ponto.

 

Quem controla esse conhecimento?

Bibliotecas públicas sempre representaram acesso coletivo.

Já as bases de treinamento de inteligência artificial pertencem, em grande parte, a empresas privadas.

Especialistas discutem se a humanidade está assistindo apenas a uma mudança de suporte — do papel para os servidores digitais — ou ao surgimento de uma nova concentração do patrimônio intelectual mundial.

A questão deixa de ser tecnológica.

Passa a ser cultural, econômica e ética.

 

Alexandria perdeu seus livros.

A humanidade contemporânea talvez esteja concentrando seu conhecimento em enormes bancos de dados digitais.

O desafio agora é garantir que esse patrimônio continue acessível às futuras gerações.

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