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A CASA DO DRAGAO E LULA.jpg

A CASA DO DRAGÃO

EDIÇÃO BRASIL: QUANDO O SOBRENOME TAMBÉM ENTRA NA URNA
 

Eleições de 2026 colocam pais, filhos, irmãos, cônjuges, tios e outros parentes no mesmo cenário eleitoral; levantamento identifica 104 congressistas com familiares candidatos

 

A política brasileira costuma ser marcada por partidos, ideologias, alianças e disputas eleitorais. Mas, nas eleições de 2026, um elemento chama especialmente a atenção: a presença de famílias inteiras na disputa pelo poder.

Pais, filhos, irmãos, cônjuges, sobrinhos, tios, primos, noras e cunhados aparecem entre os candidatos ou integrantes de chapas.

Um levantamento realizado pelo Congresso em Foco identificou 104 deputados e senadores que têm pelo menos um familiar concorrendo nas eleições deste ano. São 69 deputados e 35 senadores. Ao todo, foram identificados 145 registros de parentesco.
 

O levantamento considera parentes que disputam cargos que vão das Assembleias Legislativas ao Senado e aos governos estaduais, além de familiares que aparecem como suplentes de senador.

E é justamente nesse ponto que a realidade brasileira produz uma imagem que lembra, ainda que apenas metaforicamente, o universo de A Casa do Dragão.
 

Do Trono de Ferro ao Palácio do Planalto

Na produção da HBO, a disputa pelo Trono de Ferro envolve sucessão, alianças, famílias e diferentes grupos que tentam ampliar sua influência.

Na vida real brasileira, não existe Trono de Ferro.

Existe uma República, uma Constituição, eleições e instituições.

O primeiro turno das eleições de 2026 ocorrerá em 4 de outubro, quando serão escolhidos presidente, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. Eventuais segundos turnos para presidente e governador ocorrerão em 25 de outubro.
 

Mas há uma semelhança temática que chama atenção:

em ambos os casos, o poder envolve famílias, alianças e sucessão.

A diferença é fundamental: em Westeros, o poder está relacionado à dinastia e à força; no Brasil, os cargos são submetidos ao processo eleitoral e às regras institucionais.

 

Quando a família vira grupo político e os grupos políticos viram irmandade
 

Os números ajudam a dimensionar o fenômeno.

Segundo o levantamento, 35 dos 81 senadores têm pelo menos um familiar concorrendo em 2026, equivalente a 43% da composição do Senado. Na Câmara, o levantamento identifica 69 deputados com parentes candidatos.

E não se trata apenas de parentes tentando entrar na política pela primeira vez.

 

Há famílias nas quais vários integrantes já ocupam cargos públicos. E também situações em que um parlamentar concorre a outro cargo enquanto um familiar tenta ocupar a cadeira que ele deixará.

Um dos exemplos citados pelo levantamento é o do deputado Arthur Lira, candidato ao Senado, enquanto seu filho Alvinho Lira concorre à Câmara dos Deputados.
 

Outro caso envolve o senador Sergio Moro, candidato ao governo do Paraná, enquanto sua esposa, a deputada Rosângela Moro, concorre novamente à Câmara. Também há irmãos concorrendo, como Jilmar e Nilto Tatto, ambos ligados à política paulista.

 

Os grandes sobrenomes

Entre os grupos familiares identificados pelo levantamento, a família Bolsonaro aparece com oito candidatos, considerando também dois parentes mais distantes.
 

A família Macedo/Soares/Crivella aparece com sete.

Barbalho e Arraes aparecem com cinco candidatos cada.
 

Isso não significa, por si só, que todos esses familiares tenham a mesma posição política ou estejam necessariamente fazendo campanha conjunta. O próprio levantamento aponta situações em que parentes estão em partidos diferentes ou em lados opostos da disputa eleitoral. É justamente aí que a comparação com A Casa do Dragão ganha outro elemento. Na série, pertencer à mesma família não significa necessariamente estar do mesmo lado.

Na política brasileira, também não.

 

O sobrenome ajuda?

Essa talvez seja a pergunta mais importante.

Ter um sobrenome conhecido pode proporcionar reconhecimento público, mas isso não significa automaticamente que determinado candidato será eleito.

A presença de famílias na política brasileira é antiga e não começou em 2026. O fenômeno envolve questões como tradição política familiar, redes de relacionamento, estrutura partidária, conhecimento do eleitorado, alianças locais e capacidade de organização de campanhas.

Ao mesmo tempo, a existência de uma família política não significa necessariamente que seus integrantes pensem da mesma maneira. Há famílias que atuam juntas. Há famílias divididas. E há parentes que disputam espaços políticos diferentes.

 

Uma eleição com várias "casas"

Talvez seja essa a melhor maneira de entender a comparação.

Na ficção de Westeros existem grandes casas.

No Brasil existem partidos, grupos políticos, alianças regionais e famílias tradicionais na política.

 

Mas existe uma diferença que não pode ser esquecida:

No Brasil, o eleitor não é súdito.

Ele escolhe seus representantes por meio do voto. E é justamente por isso que o fenômeno das famílias políticas merece ser observado não apenas como curiosidade, mas como uma questão de representação política.

A pergunta jornalística não deveria ser simplesmente:"Essa família é boa ou ruim para a política?"

 

 

Mas:

"Por que determinadas famílias conseguem permanecer durante gerações no cenário político brasileiro?" Essa é uma questão que envolve história, poder, partidos, sociedade e comportamento eleitoral.

 

A Casa do Dragão brasileira?

A comparação termina onde começa a realidade.

Não existem dragões.

Não existe Trono de Ferro.

Não existe sucessão hereditária da Presidência.

Existe uma eleição.

E, em 2026, 158.765.543 eleitoras e eleitores estão aptos a votar, segundo os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral. São eles que decidirão, nas urnas, quem ocupará os cargos em disputa.Por isso, talvez a melhor tradução brasileira de A Casa do Dragão seja simplesmente:

 

"A Casa do Eleitor."

Porque, no fim, o poder não pertence ao sobrenome, ao partido ou à família. O mandato depende do voto.

 

Redação GWC — Grupo Web de Comunicação

Informação | Tecnologia | Informação de interesse público

Este conteúdo apresenta dados eleitorais e uma comparação cultural com uma obra de ficção.
 referência a A Casa do Dragão é utilizada como recurso jornalístico para discutir famílias, sucessão e disputa por poder, sem afirmar equivalência entre a ficção e a política brasileira.